Sábado, 01 de Setembro de 2007
As minhas crónicas recentes no Record publicadas à sexta-feira na penultima página
Tomo I - 24 de Agosto
Campeonato Profundo
De volta aos leitores do Record e numa tarefa de infinita responsabilidade. Longe da luxuosa realidade das páginas iniciais desta edição, agendo, para todas as sextas-feiras, a semana de um humilde clube da terceira divisão: o Futebol Clube de Arouca. É aqui que o prazer de jogar demole a voraz economia futebolística de mercado. Adiante:
Sábado, 19 de Agosto - jogo de treino com o Alba dos Distritais, em inicio de época. Os jogadores menos utilizados resolveram complicar-me as escolhas. Com mais acerto na finalização tínhamos atingido números fora de moda. Ganhámos 2 – 1.
Domingo, 20 – compromisso de arrojo com o Ribeirão da segunda B. Vinte minutos de desacerto com um castigo merecido. Perdíamos 1 – 0 e já era lucro. Correcções nas marcações e mudou o figurino. O segundo tempo foi um regalo. Para nós foi da noite para o dia. Posse de bola. Oportunidades constantes e total domínio dos acontecimentos. 2 – 2 No final.
Segunda, 21 – estive em Lisboa. Compromissos profissionais. Total confiança na equipa técnica. O Zé Leite e o David aproveitaram a moral em alta. Treino descontraído. Recuperação activa com os jogadores a utilizar somente o pé não dominante.
Terça, 22 – santa folga
Quarta, 23 – ajustes em família. Conversa de balneário com correcções específicas. Atenção redobrada. Em campo velocidade, e a diária finalização. Sem golos não há vitórias. O treino de conjunto com reprimendas pontuais. Algumas caras mudaram de expressão. Nota-se o receio do banco. O Prof. Mário anda por aí a "espiar” os nossos próximos adversários.
Quinta, 24 – Motivação foi a palavra de ordem. O mestre José Neto torneou as montanhas e despejou-nos sabedoria. Transformámos ansiedade em empenho. A famosa vontade INDÓMITA de VENCER. Como é possível o multimilionário futebol ignorar tanto saber? Um dia trabalharemos juntos.
Hoje, amanhã e domingo ficam para a próxima semana deste singelo semanário. Espero que tenha boas notícias desportivas. Vai começar o campeonato, e logo frente ao S. João de Ver e a um dos treinadores mais respeitados da região. Prof. Quaresma aguardo-o de braços abertos, com deferência e admiração mas este domingo, perdoe-me a ousadia, o Arouca tem de entrar com o pé direito.
Que o nosso empenho dê frutos. E que a Santa Mafalda esteja connosco.
Tomo II - 31 de Agosto
Angustia ao lanche
Fiz bem em apelar à Santa Mafalda. O jogo de domingo, que empatámos em casa a um golo com o S. J. de Ver, foi do céu ao inferno em meia dúzia de pormenores. Minudências individuais, associadas a um temor colectivo inexplicável, levaram-nos a ganhar apenas um ponto numa partida sempre controlada. Aplicou-se a máxima: “ quem não mata, morre”.
Adiante… porque ainda agora começou a função e a primeira jornada demonstrou que este será um campeonato da 3ª divisão, Série C, equilibrado com resultados inesperados.
Segunda, 27 – Vinte minutos de conversa, em pleno relvado, com o filme da véspera revisitado. A nossa missão não sofreu qualquer revés. Há que ter consciência dos erros e preparar o futuro próximo. Vamos a Tondela jogar para a Taça com a equipa que está no nosso campeonato, e que foi goleada em casa na ronda inaugural.
Terça, 28 – Folga para o plantel preocupações logísticas e administrativas para a direcção e equipa técnica. O certificado internacional do Fábio Giuntini, a nossa última contratação, ainda não chegou dos Emirados Árabes Unidos, e há que marcar o restaurante para a nossa deslocação ao vizinho distrito de Viseu.
Quarta, 29 – Treino de resistência com bola. Predominou a posse e a precisão no passe sempre com o sentido na baliza. Finalizar, finalizar, finalizar. Desde segunda que terminamos o apronto com grandes penalidades. A primeira eliminatória da Taça de Portugal, a tal nos obriga.
Quinta, 30 – O denominado treino de conjunto. Foi um aborrecimento para todos a quantidade de paragens a que nos sujeitámos. Há defeitos de juventude que necessitam de reparos constantes. Um desporto colectivo neste regime pós laboral deixa pouco espaço de manobra. Todos os momentos são preciosos para lembrar em que sistema de jogo apostámos, em que erros estamos a persistir, e melhor do que constatá-los, a procurar corrigi-los.
Sexta, 31 – Velocidade de reacção, lances aéreos e de bola parada foram desenvolvidos no apronto no relvado. No auditório seguiu-se o visionamento do nosso adversário de domingo. Tondela ao raio x, por Mário Castro.
Domingo lá vai o nosso Arouca até às encostas da serra do caramulo, e com três dos nossos médios de telemóvel em riste. Estão “grávidos”. O Edinho está por dias. Ou melhor, a mulher dele
Tomo III
O Sabor da Taça - 7 de Setembro
Sente-se na equipa a moral em alta. Ganhar por 2 – 0 fora, em Tondela, para a Taça de Portugal é melhor que uma semana inteira de treinos. O nosso adversário reforçou-se alinhando na máxima força, ao contrário do que sucedera no jogo de estreia do campeonato. Aí não dispôs de jogadores suficientes para sentar no banco o que só ajuda a valorizar a nossa conquista.
Uma conquista indiscutível que serviu de prenda para o Edinho. Nasceu no sábado o Tiago.
3 de Setembro – Grupo dividido em dois. O dos mais utilizados aligeirou a carga e o tempo no relvado. Alongamentos q.b. Os restantes jogadores aplicaram-se forte e feio num exercício de posse da bola de alta intensidade ao ritmo de caneleira bem espremida. Intensidade alta com e sem finalização.
4 de Setembro – à Terça, salvo ordem em contrário, Folga
5 de Setembro – O Alba, dos distritais, convidou-nos para a apresentação da equipa. Os atletas menos rodados efectuaram uma exibição mediana capaz de solucionar a função. O desacerto na finalização penalizou-nos com uma derrota por um zero. Ficou na retina a exibição dos dois juniores que connosco trabalharam na pré-época. Ainda nos vão dar muitas alegrias. Fixem esta data e o que hoje vos estou a escrever.
O outro grupo prestou-se às ordens do Prof. José Leite, no nosso estádio, a puxar pelo cabedal.
6 de Setembro – Estive com os três capitães, Tiago, Filipe e William, na apresentação dos infantis do clube. Boa componente do nosso, e do treino dos miúdos. Passar a mensagem aos mais novos dos valores que devem imperar na formação de atletas, na formação de homens: Humildade, Trabalho, Solidariedade e desenvolvimento académico. Os “putos” têm que estudar. Nem todos chegam ao estrelato do Cristiano Ronaldo. No entanto, mantivemos a ideia que até morrer devemos sonhar.
7 de Setembro – Se os nossos adversários estavam à espera que neste diário entregasse o ouro ao bandido desenganem-se. Quinta e sexta treinámos. Como? É segredo.
Domingo há jogo grande na região. Vamos a São João da Madeira defrontar um histórico. A Sanjoanense é a eterna favorita que humildemente procuraremos contrariar.
Tomo IV -13 de Setembro
Um bocadinho assim
Só me ocorria a expressão popularizada pelo conhecido iogurte, no final do nosso empate em S. João da Madeira, dois a dois. Com coesão, solidariedade entre sectores e destemidos com bola impusemos o nosso sistema, com o ritmo ao nosso gosto. Perigo zero na nossa baliza. Foram malditos deslizes individuais que nos impediram de alcançar a vitória inaugural no campeonato. O ultimo dos quais já nos descontos.
Estou na “azia”, como é usual dizer-se na terminologia futebolística, sem somar três pontos e a passar por todas vicissitudes possíveis e imaginárias.
No aquecimento perdemos o Toninho por lesão, como desconfiámos na pretérita semana. O Pina foi literalmente “cotovelado” e acabou o domingo com mais pontos que a equipa em duas jornadas. Quatro para o atleta, dois para o Arouca.
Segunda, 9 – Decidi alterar o micro ciclo esta semana para quebrar a rotina. Dia de descanso activo de muita conversa sobre as incidências da véspera. Ainda estávamos com travo amargo do desperdício.
Terça, 10 – Foi uma coça das antigas. Há quem lhe chame o dia de competições europeias. Todas as componentes do treino integradas. Intensidade máxima, entrega e atenção ao desempenho. Saímos do estádio com a noção do dever cumprido até ao derradeiro pingo de suor.
Quarta, 11 – Folga para variar
Quinta, 12 – Misto de resistência servido pelo Prof. Leite. Seguiu-se bola corrida com campo reduzido. Qualquer um com atributos de titular. Dores de cabeça adicionais não só para escolher os convocados como para desenhar o onze. Não há fome que não dê em fartura.
Sexta, 13 – O torneio particular de penaltis da equipa técnica está ao rubro. O meu adjunto, David, baixou consideravelmente de forma. Anda a vacilar e já nos deve, no mínimo, três jantares.
O serviço de espionagem deu palestra de apresentação do Milheiroense, no final do treino.
O Prof. Miragaia sabe da poda. Nós, no duro, vamos à vindima no domingo. Sem tréguas. |